Mães que trabalham!!!! | 30Jun2007 12:31:00
Mães que trabalham: novos velhos paradigmas
Segundo informação da revista Época (18/06/2007), para 68% das mães brasileiras é difícil conciliar trabalho, maternidade e casamento. Oitenta e quatro por cento das que trabalham acham que a casa é "o melhor lugar do mundo". Todo mundo sabe que não foi por falta de trabalho em casa que as mamães foram parar no emprego. Então, como tudo isso começou? Com o surgimento da Segunda Guerra Mundial, por volta dos anos 1940, e com a falta de homens para os postos de trabalho, foi quebrado um paradigma e as mulheres passaram a ocupar posições que antes eram exclusivamente masculinas. Com isso, mais e mais mulheres passaram a sair de casa e a ter renda. Sendo elas agora detentoras de renda, alterou-se o equilíbrio de poder dentro de casa, e as separações se tornaram financeiramente mais viáveis para elas (existem estudos mostrando o crescimento exponencial de separações a partir dessa época). Os filhos dessa geração, criados sem a presença exclusiva da mãe, tornaram-se na geração hippie que povoou os Woodstocks dos anos 1960, aqueles mega-concertos de rock regados a muita droga, paz e amor e sexo livre. No Brasil, com a crise dos anos 1980, muitas mulheres também entraram de corpo e alma no mercado de trabalho.
Mas de acordo com a reportagem da Época desta semana, o que se vê agora é um movimento reverso. Com a melhoria das condições financeiras no Brasil e no mundo, parar de trabalhar para cuidar dos filhos passou a ser símbolo de status. E essa não é uma tendência só brasileira. Só “em 2005, 5,6 milhões de mães americanas deixaram o emprego para cuidar dos filhos – 1,2 milhão a mais que dez anos antes”, afirma o artigo.
E por que elas deixam o batente? Muitas mães já perceberam que não conseguem fornecer o tal “tempo de qualidade” simplesmente porque não conseguem conciliar o trabalho fora de casa com a disponibilidade dentro. E por que estar disponível? Se olharmos sob uma perspectiva cristã e bíblica, podemos ver através de histórias como as de Joquebede, Ana, Eunice, Loide, Isabel e Maria, que “a mãe é o instrumento de Deus para tornar sua família cristã” (O Lar Adventista, p. 235). Essa é a opinião de Ellen G. White, uma educadora cristã que viveu no século 19, e é considerada como sendo uma voz profética para os adventistas. De acordo com ela, diante de Deus, o trabalho da mãe, seja educando, ensinando valores morais e espirituais ou colocando limites, é mais importante que o do pastor ou de um rei em seu trono.
Voltando a esta questão de “tempo de qualidade”, gosto de pensar que educamos nossos filhos mais pela presença do que por preceito ou ensino. Educar filhos é como cozinhar feijão. Você coloca o grão na panela e precisa de fogo a uma determinada temperatura por cerca de 50 minutos, conforme o feijão. E não adianta colocar um “fogo de qualidade” só porque você tem apenas 15 minutos para cozinhar o feijão. Se aumentar demais a temperatura nesse curto período de tempo, o feijão até queima mas não fica cozido! O tal “fogo de qualidade” não foi vantajoso no processo. Assim, a mente dos filhos precisa “cozinhar” na presença da mãe e do pai. A mesma autora que eu citei agora há pouco diz que “os pensamentos e sentimentos da mãe terão poderosa influência sobre o seu legado aos filhos” (Ibidem, p. 241). A mente humana foi construída por Deus para absorver valores, visão de mundo e crenças daqueles por quem ela é rodeada. Os filhos apreendem os valores espirituais, morais, etc., não por “tempo de qualidade”, mas por “tempo de exposição”. A regra geral é que quanto mais expostos estiverem aos pais, mais parecidos com eles e seus valores vão ficar. E se os pais ainda são simpáticos, agradáveis e brincam com os filhos, além de serem firmes e coerentes, essa influência será ainda mais irresistível. Mas se os filhos não estiverem com a mãe ou com o pai, vão estar com quem, vão aprender de quem?
Trazer filhos para o mundo implica em grande responsabilidade diante de Deus. Ter um filho é receber de Deus um empréstimo de uma pessoa por cerca de vinte anos. De acordo com a parábola dos talentos, precisamos pensar em devolver mais do que recebemos. Eles se vão porque não nos pertencem. São propriedade de Deus. Mas de que jeito vão sair para a vida? O que vão levar da nossa casa? Qual foi nossa participação no desenvolvimento do seu caráter? Tudo vai depender da escala de valores que formou as prioridades dos pais.
Mas Deus não nos dá filhos apenas para que participemos da sua educação. Nós também somos educados durante o processo. Enquanto algumas pessoas não podem ter filhos, por mais que os queiram, outras escolhem não tê-los. Nesse caso, sofrem uma perda de caso pensado. E o que perdem? Perdem em crescimento, amadurecimento e preparo para a vida no Céu, simplesmente porque para se criar filhos é necessário aprender com Deus a amar, a perdoar, a praticar a justiça, a equidade, e, acima de tudo, a deixar de lado o egoísmo – que é a essência do pecado. É esse egoísmo que faz com que mesmo alguns que já são pais e mães pensem apenas na sua própria vida – nesta vida – e coloquem como prioridade o aspecto profissional, por exemplo. Mas qual será a importância de nossa profissão no dia da volta de Jesus?
Famílias como essas que citei são chamadas pelos terapeutas de “famílias desligadas”, ou seja, cada um cuida de sua vida. Nada do que o outro sofra, faça ou deixe de fazer, seja negativo ou positivo, afeta aos demais membros da família. Ninguém cuida de ninguém. Filhos comem (ou não comem) sozinhos, estudam (ou fingem) sozinhos, e sofrem sozinhos. Mas como não fomos criados para ficar sozinhos, esses filhos terão uma forte tendência para a marginalidade, ou seja, para buscar esse "pertencimento" em grupos que estão à margem da sociedade, e não na família. Esses grupos costumam ser extremamente receptivos e possuem alto sentido de comunidade. Todo mundo é "mano" e até as seringas são partilhadas. Mas quando uma família, pela presença amorosa e positiva dos pais, proporciona esse sentido de "pertencimento", vai ser muito mais difícil ver um filho envolvendo-se com grupos marginais.
Mas quando a mãe resolve ficar em casa, como fica o sustento da família que depende do seu salário? É certo que em muitos casos o trabalho da mãe é mesmo uma questão de sobrevivência. Existem mulheres separadas ou viúvas que, com grande prole, têm como única opção sair para a vida atrás do sustento. Mas mesmo nesses casos, a mãe pode criar mecanismos de controle, de proteção e de ocupação que minimizem os efeitos da liberdade exagerada que sua ausência produz. É bom lembrar que as crianças não estão preparadas para a liberdade que passam a desfrutar com a ausência da mãe.
Mas em outras famílias é mesmo o consumismo e a confusão entre o ser e o ter que faz com que “precisem” do trabalho da mãe. Acostumam-se a pensar que dependem dos restaurantes, dos shoppings, das viagens e de outros supérfluos para serem felizes. Li recentemente a história de Annemarie (White) Freeman, uma esposa de pastor que, mesmo antes do casamento, juntamente com o esposo, fez um pacto com Deus de devolver fielmente o dizimo e entregar a Ele como oferta uma outra porcentagem de tudo que recebessem. O casal também fez um orçamento baseado apenas no salário do marido, e resolveu guardar o salário da esposa como poupança. Fizeram ainda o difícil compromisso de se manterem estritamente dentro do orçamento. Isso quer dizer que não comprariam coisas “necessárias” se no orçamento não houvesse provisão para elas ou se o dinheiro previsto para elas naquele mês já houvesse acabado. Também não utilizariam dinheiro do mês seguinte para comprar as coisas do mês corrente. Como resultado, tiveram que se adaptar a um estilo de vida bem mais simples.
Eles também firmaram um compromisso de que quando as crianças nascessem, ela não trabalharia durante o tempo em que estivessem em casa e precisassem dela. Como já estavam acostumados a viver com apenas um salário, o do marido, com a vinda dos filhos ela pôde parar de trabalhar, e isso não mudou radicalmente a situação financeira da família.
E ela diz: “Por termos permitido que Deus nos ensine a viver contentes com apenas um salário, eu tenho a oportunidade de ficar em casa com meus filhos de 3 e 6 anos... Em minha caminhada matinal pela vizinhança, vejo mães atando os filhos aos assentos dos carros para deixá-los nas creches. Eu prefiro ficar sem aquelas coisas extras que o meu salário poderia prover e viver de modo mais simples, de maneira a partilhar esse precioso tempo com meus filhos. Eu quero ser a pessoa que vai moldar e formatar seus caracteres e ensiná-los a amar e respeitar a Deus. Não é isso que Deus pede de mim? Para mim e meu esposo, isso é uma questão de prioridades” (Annemarie Freeman, "The Developing Steward", em Adventist Affirm, Summer 2006, p. 82).
Luciana Tremblay, uma brasileira administradora de empresas de 34 anos, que também largou o trabalho para cuidar dos filhos, disse em entrevista à Época: "Meu trabalho, daqui a alguns anos, eu posso retomar. A infância dos meus filhos jamais voltará." Foi mais ou menos isso que minha esposa também fez, e hoje, com nossas filhas já crescidas, não tem motivos para arrependimento. Talvez tenhamos menos "coisas" que os outros, mas, afinal, mesmo o pouco que temos, vamos perder no "dia dos pés juntos"...
(Marcos Faiock Bomfim, pastor, terapeuta de casal e de família, apresentador do programa Novo Tempo em Família, da Rede Novo Tempo)
Comentários
Por: ines agostnho mabota
eu so rogo para que não seja má mãe para os meus futuros filhosPor: ines agostinho mabota
eu concordo que os pais tem grande papel na educação de seus filhos mas é ainda mais importante saber educa-los co igualidade para que tenham um crescimento psiquico e fisico saudavel.Eu inclusive não tive esse previlegioPor:
Obrigado Ines pelo seu comentário. continuemos sempre fazendo o melhor para a nossa familia.Inicie sessão antes de comentar







































