Ainda preso no Planeta Terra.!!!! | 24Fev2008 09:46:00

A viagem dos Israelitas do Egito à terra prometida demorou muito mais tempo do que estava previsto. Em Cades-Barnéia, às portas de Canaã, decidiu-se que, por causa da sua incredulidade, Israel deveria permanecer no deserto durante quarenta anos.
Os doze espias, todos exceto dois, deram um relatório desanimador. Não tomando em consideração o poder e a direção de Deus, descreveram ao povo as dificuldades, que surgiriam na conquista da terra prometida por Deus, duma maneira exagerada. Diziam que lá havia gigantes, grandes e fortificadas cidades e um povo forte. Israel levantou-se em incredulidade contra Deus, contra Moisés e contra o bom relatório de Josué e Calebe, decidindo então não entrar em Canaã. A permanência no deserto durante quarenta anos, como resultado desta decisão errada, nos é bem conhecida.
Isto, porém, foi escrito como símbolo e advertência para nós, nos dias de hoje, que esperamos o fim do mundo. (1 Cor. 10.11). O povo adventista, que se encontra no caminho para a Canaã celestial, tem, não somente em geral mas em muitos aspectos, consideráveis paralelos com o povo de Israel. Por exemplo: O antigo Israel podia ter entrado muito mais cedo em Canaã. Na passagem para o século XX, foi dito ao povo Adventista que, se tivesse permanecido fiel, Cristo já poderia ter vindo. 6T 450, DT 634 [Edição Grande].
Apesar do povo Israelita ter demonstrado sua incredulidade durante um período mais prolongado (dez vezes tentaram o Senhor – Números 14.22), deve-se procurar a principal razão para o atraso, na conquista da terra prometida, nas suas atitudes em Cades-Barnéia.
Se ali tivessem tido fé, certamente teriam entrado no repouso. Assim também nós.
Cades-Barnéia repetiu-se na história do povo Adventista de maneira semelhante, pelas terríveis experiências obtidas na Conferência Geral de Minneápolis. (E. G. White)
O tremendo da Conferência Geral, do ano de 1888, foi mostrado ao povo adventista numa mensagem, da qual dependia o período de permanência nesta terra. Da aceitação desta divina verdade dependia se a obra de Deus poderia terminar naquele tempo, ou se se prolongaria ainda durante dezenas de anos. Satanás “sabe que tem pouco tempo”; e por isso, naquela hora em que Deus quis buscar o Seu povo, trabalhou para o levar a uma longa viagem, de modo a permanecerem ainda durante muitos anos neste mundo, por causa da sua teimosia. Estes receios de E. G. White cumpriram-se visivelmente. Desde aquele tempo muitos anos se passaram, com guerras horríveis e desgraças imensas.
Há muitos anos proclamamos a breve e real vinda de Cristo. Se tivermos perante os nossos olhos o claro testemunho de que já em 1888 estivemos às portas da Canaã celestial, deveríamos tentar saber as razões porque ainda não entramos neste repouso. Quais são os gigantes que nos impedem de receber a chuva serôdia? Quais são as cidades fortificadas que impedem a nossa entrada na terra prometida? Quem fizer seriamente esta pergunta, pode realmente encontrar somente a seguinte resposta: O pecado. Que cantamos muitas vezes: “... se entrarmos livres de pecado para a Canaã prometida”. Mas, o que já não acreditamos é que nos é possível alcançar, nesta vida, a tal liberdade, profetizada nesta canção, que nos livrará de todo o pecado e nos dará um coração limpo, para podermos entrar lá. É isto que, no mais profundo do coração, já não acreditamos. Em vez de considerarmos o grande poder de Deus, que certamente pode colocar os nossos corações num estado tal, caímos na incredulidade. Em vez de seguir a Palavra de Deus, pomos as nossas infrutíferas experiências como direção da nossa fé. Enquanto a Palavra de Deus nos diz claramente como é possível vencer cada pecado, as nossas experiências fracassadas nos levam a crer o contrário.
Contra esta orientação, que é somente incredulidade, havia em Minneápolis um Josué e um Calebe, que indicaram a Justiça de Cristo, que nos habilita a cumprirmos todos os mandamentos de Deus. A justiça própria não conhece nem a Escritura nem o poder de Deus. Em Minneápolis levantaram-se estes dois mensageiros de Deus – E. J. Waggoner e A. T. Jones, pregando uma salvação do pecado e de pecar, como somente o Todo-Poderoso a pode realizar, através de Jesus Cristo. Na rejeição desta mensagem, pela mesma incredulidade que os Israelitas demonstraram, encontramos o nosso Cades-Barnéia. O perigo, hoje em dia, é que a maioria de nós nem sabe que isto aconteceu.
[Nota do Revisor: E.G.White escreveu em 09.05.1892, de Melbourne, Austrália, "Vi que Jones e Waggoner tiveram sua contrapartida em Josué e Calebe. Como os filhos de Israel apedrejaram os espias com pedras literais, vós apedrejastes esses irmãos com pedras de sarcasmo e ridículo. Vi que vós voluntariamente rejeitastes o que sabíeis ser a verdade. Apenas porque era por demais humilhante para a vossa dignidade. Vi alguns de vós, em vossas tendas, arremedando e fazendo toda a sorte de galhofas desses dois irmãos. Vi também que, se tivéssemos aceito a mensagem deles, teríamos estado no reino dois anos após daquela data, mas agora temos de retornar ao deserto e ficar 40 anos."]
O intuito deste livro não é tanto mostrar a verdade de Minneápolis, mas sim a verdade sobre Minneápolis. Jamais podemos, no entanto estimar e compreender a verdade de Minneápolis, se nem sequer estamos dispostos de reconhecer a verdade sobre Minneápolis. No passado, precisamente nos primeiros anos após Minneápolis, o “alto clamor” podia, segundo as palavras da profetiza, ter ido a todo o mundo, como fogo sobre a palha. Cada crente adventista devia interessar-se calorosamente na razão porque isto ainda não se realizou, ainda mais que já nesta altura poderia ter-se cumprido.
Antes que o povo de Deus, do tempo do fim, possa entrar no repouso celeste, deve aprender a considerar honestamente a sua própria história. Depois deve estar disposto a reconhecer humildemente os pontos errados do passado, tirando daí conclusões certas para o presente. E. G. White profetizou a este respeito, dizendo que os resultados desta Conferência Geral, tão decisiva, serão uma vez reconhecidos em toda a sua extensão. Isto deve vir antes do grande despertamento, que antecederá a entrada na Canaã celestial. Todas as igrejas querem um reavivamento. Porém o reavivamento enviado por Deus virá somente quando os erros do passado estiverem arrependidos e confessados, sendo os seus resultados reconhecidos e reabilitados. Que, no futuro, o povo adventista queira decisivamente recusar aceitar quaisquer dos muitos apelos que se fazem hoje em dia, a não ser que estejam sob o arrependimento sincero, acompanhado da confissão dos pecados passados. Uma confissão particular do pecado é necessária para cada um. O povo, porém, como um todo, deve professar uma confissão franca dos pecados cometidos por ele. Se, deste modo, for visível que a antiga vaidade da igreja de Laodicéia tenha sido derramada no pó, o Deus dos humildes pode levantar-Se e trabalhar poderosamente em favor do Seu povo. Se reconhecermos o que aconteceu em Minneápolis e nos anos seguintes, estimaríamos e reconheceríamos muito mais a mensagem enviada naquela altura.
Para podermos compreender melhor a nossa situação atual, devemos ter coragem de deixarmos válidos os assuntos históricos, mesmo que nos sejam inconvenientes. Caso não reconhecermos a nossa própria história, em que os acontecimentos dos anos 1888-1893 são de grande significação – não considerando 1844 –, pode haver realmente um desvio para um caminho completamente errado.
O material histórico, citado neste livro, deveria dar ao leitor, talvez pela primeira vez, uma visão objetiva daquilo que realmente aconteceu entre o nosso povo adventista, há mais de 113 anos. Se, porém, algo passar dolorosamente pelo nosso coração, queiramos ter em consideração que a verdade dói, mas também cura.
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